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Destaques - Museu Roberto Lee

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MUSEU PAULISTA DE ANTIGUIDADES MECÂNICAS ROBERTO LEE

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Tucker Torpedo – 1948 – 1035

O carro Tucker Torpedo nasceu dos sonhos do Americano Preston Tucker, que tinha como objetivo projetar e produzir o melhor automóvel já existente. Viu no cenário pós-guerra o momento perfeito para lançar o seu projeto, um modelo novo e diferenciado, com o motor na parte traseira e o porta-malas na frente, com três faróis e um sistema de segurança inovador, com cinto e para-brisa que saltava para frente em caso de acidentes.

Preston Tucker lutou muito para que seu sonho saísse do papel, buscou apoio junto a inúmeros sócios investidores e recebeu muito “não” como resposta. Depois de muita insistência, conseguiu o apoio de um investidor, montou a Tucker Corporation, em Chicago, e começou a produzir os automóveis.

A expectativa da população para o lançamento do carro era grande. Todos estavam interessados em adquirir um automóvel Tucker. Ao longo do processo de produção, Tucker sofreu muitos boicotes de materiais, falsas acusações, respondeu a processos e acabou conseguindo construir apenas 51 carros, antes que a Tucker Corporation fosse efetivamente fechada.

O modelo que temos em nosso acervo é o 1035, produzido em 1948, e o único que chegou a andar em solo brasileiro. O automóvel chegou ao Brasil através de Jaime Gantmains, um homem que acreditava tanto no sucesso dos carros Tucker que chegou a montar uma distribuidora da marca aqui no Brasil. Porém, quando a Tucker Corporation fechou nos Estados Unidos, as consequências chegaram até o Brasil. Jaime Gantmains acabou fechando sua distribuidora e herdando muitas dívidas.

Como tentativa de diminuir seu prejuízo, Sr. Gantmains em conjunto com a Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, promoveram uma rifa vinculada ao sorteio da loteria federal, onde o Tucker seria o grande prêmio. A rifa foi adiada por diversas vezes e o sorteio oficial só foi acontecer mais de um ano depois.

Após o episódio da rifa, o Tucker foi parar nas mãos do casal Micolas Hientgen e Suzanne Becker Hientgen. Com a morte de seu marido em 1951, Suzanne tomou a iniciativa de vender o carro para seu amigo José Fiadi e seu filho Ari Fiadi. O carro já enfrentava alguns problemas mecânicos e elétricos mas, mesmo assim, eles o levaram.

Ari Fiadi era um assíduo frequentador do autódromo de Interlagos e nas rodas de conversas com os amigos, comentava bastante sobre o Tucker que havia comprado, o que acabou despertando o interesse do jovem Joseph Molitor, um luxemburguês que morava no Brasil desde 1946, levava uma vida de play boy e se interessava por carros e alta velocidade.

Em 1952, o Sr. Molitor apresentou para a família Fiadi muitas propostas para comprar o Tucker. No início eles estavam decididos a continuar com o carro, mas depois de muita insistência acabaram aceitando a proposta do Jovem.

Joseph Molitor viveu muitas aventuras com o seu Tucker. Chegou até a levá-lo à Europa de navio em uma das vezes que foi visitar a família.

Molitor foi o responsável por realizar muitas reformas e adaptações no carro, inclusive trocou o motor e o chassi do Tucker por partes de um Cadillac que ele já possuía. Tempos depois, o carro ficou exposto em uma revendedora de automóveis na Av. São João, no centro de São Paulo.

Em meados de 1957, o carro foi comprado pelo francês Agop Toulekain, um empresário dono de uma loja de calçados. O Tucker fazia sucesso em sua família. Os filhos adoravam o carro diferenciado com três faróis. Sr. Toulekain ficou com o carro até 1960, quando utilizou o mesmo como entrada para comprar um sobrado que estava sendo vendido por Orlando Bombarda.

Após Orlando Bombarda se tornar o novo proprietário do Tucker, permaneceu com o carro até 1962, quando André Matarazzo o encontrou e fez uma proposta para compra.
André Matarazzo era cunhado de Roberto Lee. Com a paixão por automóveis antigos que tinham em comum, faziam muitos negócios e trocas de carros entre eles e foi assim que Lee acabou comprando o Tucker de seu cunhado junto com outros 10 veículos. O objetivo, no início, era utilizar as peças do seu chassi de Cadillac para fazer conserto em seus outros carros. Porém, conforme foi trocando cartas com outros colecionadores do mundo, ele acabou conhecendo a história do Tucker e o valor que ele tinha. Desta forma, colocou o carro em lugar de destaque na exposição de seu museu.

Uma curiosidade sobre o Tucker 1035 é que sua cor original é vermelho bordô. Ele foi pintado durante o período em que estava sendo rifado pela Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, de azul celeste, mantendo apenas seu teto na cor original. E quando chegou às mãos de Joseph Molitor, ele teve novamente sua cor alterada, sendo pintado de preto e assim permanece até hoje. Sem dúvidas um carro que carrega muitas histórias

Tucker 3
Referências:

Revista Classic Show
https://flatout.com.br/uma-manha-no-museu-historia-do-tucker-48-brasileiro/

https://youtu.be/Tonp8IKb1LU


Maverick 1973

O Maverick 1973 de placa EP 2789, foi um dos três modelos a participar do 1° Raid da Integração Nacional, evento promovido pela Ford no ano de 1973, junto com a Embratur e o extinto DNER. Saíram em caravana o Maverick, um Corcel e uma Belina, modelos que haviam acabado de serem lançados. O roteiro teve início no dia 8 de outubro, na cidade do Chuí, Rio Grande do Sul, para uma aventura rodando todos os estados do país. O encerramento aconteceu em Brasília, totalizando 24 dias de evento e tendo rodado 16.755 km.

Após este grande acontecimento, o Maverick foi doado ao Museu Paulista de Antiguidades Mecânicas de Roberto Lee. Assim como os demais veículos do acervo, em decorrência ao fechamento do museu, ele sofreu frequentes ações de vandalismo, ficando em um estado bastante deteriorado.

Em janeiro de 2018, juntaram-se o Maverick Clube do Brasil, o Centro Automotivo Lombardi, o Tio Giuli Garage e a Prefeitura Municipal de Caçapava para trabalharem na Restauração do Maverick. O automóvel foi levado até São Paulo e, em 2020, retornou ao museu com sua restauração quase finalizada.

Maverick 1

Referências:
https://www.maxicar.com.br/2020/10/maverick-do-raid-da-integracao-nacional-retorna-ao-museu-roberto-lee-apos-restauracao/

http://mavericknahistoria.blogspot.com/2013/05/1973-1-raid-da-integracao-nacional.html?m=1

https://www.maverick73.com.br/historias/1o-raid-de-integracao-nacional-os-aventureiros-da-ford/


Packard 120 Eight Convertible Sedan

Em novembro de 1968, chegava ao Brasil o Príncipe Philip acompanhado pela Rainha Elizabeth II. A estadia do casal no país durou exatos 11 dias e eles passaram por Recife, Salvador, Brasília, São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro.
Uma curiosidade desta vinda do casal Real a nosso país, é que enquanto estavam em São Paulo, Roberto Lee emprestou ao Governador do Estado seu Packard 120 Eight Convertible Sedan, na cor bordô, para transportar o príncipe pelas ruas da cidade.

A condição imposta por Lee era que ele fosse o motorista e conduzisse o carro neste momento tão especial. O também colecionar de automóveis e amigo de Lee, Og Pozzoli, já falecido, foi uma das pessoas que presenciaram este acontecimento e guardava boas recordações do dia. Chegou a contar que a primeira-dama do Estado, Dona Maria do Carmo de Abreu Sodré, que também estava no carro, cumprimentou Roberto Lee com um beijo no rosto e o Príncipe questionou se aqui no Brasil era costume cumprimentar os motoristas também, então explicaram a ele que Lee, além de motorista, também era o proprietário o automóvel.

Packard 4
Referências:
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/04/09/principe-philip-esteve-no-brasil-em-1968-com-rainha-elizabeth-ii.ghtml

https://www.meon.com.br/noticias/rmvale/carro-que-principe-phillip-usou-em-sua-visita-a-sao-paulo-em-1968-esta-em-cacapava

https://www.youtube.com/watch?v=5_3-VoOw1UM&t=1112s


Alfa Romeo Grand Prix

Em 1936 ocorreu o “I GP da Cidade de São Paulo”, no bairro paulistano Jardim América, reunindo grandes pilotos de todo o mundo. Infelizmente, foi aí que aconteceu um dos maiores acidentes da história do automobilismo do Brasil, envolvendo a piloto francesa Hellé-Nice e seu Alfa Romeo. Quando já estava em sua última volta, Hellé-Nice perdeu o controle da direção e o Alfa Romeo voou, dando duas voltas no ar e indo em direção ao público que estava acompanhando a corrida nas laterais da pista. A piloto acabou sendo atirada do veículo e caindo em cima de uns dos funcionários de quilometragem da corrida, ficando gravemente ferida. O acidente acabou causando 5 mortes e deixando 35 pessoas feridas.

Alfa 1

Tempos depois do acidente, quando estava a caminho da cidade de Ouro Preto (MG), Roberto Reis encontrou o Alfa Romeo Grand Prix, em um posto de gasolina na beira da estrada, onde parou despretensiosamente para comer um lanche e usar o banheiro. Sua reação foi de espanto com tamanha raridade que havia encontrado e, em seguida, ligou para Roberto Lee que foi na hora buscar o carro, que é um dos destaques do acervo do Museu Paulista de Antiguidades Mecânicas até hoje.

Referências:

https://www.youtube.com/watch?v=1pgocLg9kuY

https://faspnet.com.br/1936-o-inesquecivel-i-grande-premio-cidade-6512

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